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Círculo de Segurança (Liderança)

Postado por Marco Fabossi julho - 16 - 2017 2 Comentários

  Eu havia cometido um grande erro no trabalho, e algumas horas depois meu chefe me ligou pedindo para eu ir até sua sala. E enquanto caminhava até lá comecei a imaginar o que viria pela frente.

Ele me cumprimentou com cordialidade, pediu pra eu me sentar, falou sobre algumas demandas importantes que precisávamos resolver, perguntou se havia alguma dúvida, e em seguida disse:

– Muito bem, então eu aguardo notícias sobre o que conversamos na data combinada. Vamos em frente!

Como ele não fez qualquer menção ao grave erro que eu havia cometido horas atrás, instintivamente eu disse:

– Pensei que você tivesse me chamado aqui pra falar sobre o erro que cometi.

E ele então, com olhar de compreensão, comentou:

– Tenho certeza que você aprendeu muito com esse erro, e que ele não ocorrerá novamente. Como disse Nelson Mandela, “Eu nunca perco. Ou eu ganho, ou eu aprendo!”. Estou seguro que você aprendeu muito com essa situação, e isso o tornará alguém melhor, como pessoa e profissional. Vamos em frente!


No atual contexto corporativo, um mercado dinâmico, incerto, rápido, globalizado, multigeracional, complexo, ambíguo, e com maior pressão por resultados, qual é a mais importante responsabilidade de um líder? Não é uma resposta fácil, mas creio que a neurociência pode nos ajudar com essa resposta.

Segundo a neurociência, que tem sido fundamental para entendermos um pouco mais sobre o comportamento humano, o cérebro humano funciona com base na seguinte hierarquia social: Sobrevivência, Pertencimento e Crescimento. Vejamos então, como isso impacta na liderança.

Antes de prosseguirmos, contudo, é importante contextualizar que, ao contrário do que muitos acreditam, o cérebro humano é muito mais social e emocional, do que racional; segundo os neurocientistas, 80% social e emocional, e apenas 20% racional. Portanto, quando falamos em “sobrevivência” na hierarquia cerebral, não estamos nos referindo à manutenção do emprego apenas, mas principalmente ao nível de respeito, justiça e equidade com o qual uma pessoa é tratada. Quando existe falta de respeito, injustiça ou tratamentos “preferenciais”, o cérebro naturalmente entra em modo de “proteção”, e leva as pessoas a acreditar que precisam lutar por sua sobrevivência social. Quando isso acontece, elas sequer chegam a acessar o nível seguinte (Pertencimento), e quando alguém entra em modo de sobrevivência, passa a priorizar a autopreservação e, consequentemente, não trabalhará bem em equipe, não compartilhará informações, e será pouco colaborativa.

Mas supondo que o nível da sobrevivência esteja resolvido, chegamos ao segundo nível da hierarquia cerebral: Pertencimento. Se alguém não se sente “pertencente” ao lugar aonde atua, se desconectará dele e atuará com baixo nível de engajamento. A falta de reconhecimento, “os queridinhos”, as panelinhas, a exclusão social, e a demonstração de falta de confiança são exemplos comuns de situações que “dizem” às pessoas: “você não pertence a este lugar”.

E segundo a neurociência, somente quando uma pessoa não precisa mais lutar por sua sobrevivência e senso de pertencimento, é que se sentirá apta e disposta a tornar-se alguém melhor, como ser humano e profissional.

Muito bem, juntando o que conversamos até agora ao fato de que organizações sem inovação tendem a desaparecer rapidamente, a mais importante responsabilidade de um líder no contexto atual é criar um círculo de segurança em sua organização, área ou departamento, onde as pessoas não precisem lutar pela sua sobrevivência e senso de pertencimento, e assim, estejam aptas a tornar-se o melhor que podem ser, a tentar coisas novas e propor novas ideias; criar um ambiente onde o erro inédito não seja motivo de punição, mas utilizado como parte da jornada de aprendizado e crescimento; um lugar onde haja respeito, acolhimento e reconhecimento; onde o feedback é utilizado para ajudar as pessoas a melhorar; onde as pessoas e suas ideias são ouvidas; onde a verdade prevalece sobre a mentira; onde cada pessoa tenha a liberdade de demonstrar luz e sombra sem ser julgada por isso; um lugar onde a transparência e a confiança permeiem as relações; um lugar onde ninguém perca, mas onde todos ganhem ou aprendam.

Um Grande Abraço,

Marco Fabossi

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.Marco Fabossi
Marco Fabossi é Sócio-Diretor da Crescimentum, a mais completa empresa de formação de líderes do Brasil.
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2 Respostas até agora.

  1. ednaldo disse:

    seus textos e reflexões são ótimos,
    parabéns pelo grande trabalho.
    deus te abençoe.

  2. Natalia disse:

    Bem colocado sobre erro inédito, não corriqueiros.