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Hands On (Liderança)

Postado por Marco Fabossi novembro - 24 - 2008 2 Comentários

Vi um anúncio de emprego. A vaga era de Gestor de Atendimento Interno, nome que agora se dá à Seção de Serviços Gerais. A empresa exigia – além de formação superior, liderança, criatividade, energia, ambição, conhecimentos de informática, fluência em inglês – que os candidatos fossem HANDS ON.

Foi difícil, mas Fabiana conseguiu convencer o entrevistador que ela possuía essa variada gama de habilidades, e foi admitida. O salário era um assombro: R$ 800.

Em seu terceiro dia de trabalho, ela atendeu o seu Borges, Gerente da Contabilidade.

 

Seu Borges: – Fabiana, bem-vinda à empresa. Eu quero três cópias deste relatório.

Fabiana: – In a hurry? 

Seu Borges: Saúde! Deus te crie!

Fabiana: – Não, Seu Borges. Isso quer dizer ‘bem rapidinho’. É que eu tenho fluência em inglês. Aliás, desculpe perguntar, mas por que a empresa exige fluência em inglês se aqui só se fala português?

Seu Borges: – E eu sei lá? Dá para você tirar logo as cópias?

Fabiana: – O senhor não prefere que eu digitalize o relatório? Porque eu tenho profundos conhecimentos de informática.

Seu Borges: – Não, não. Cópias normais mesmo, por favor.

Fabiana: – Certo. Mas eu não poderia deixar de mencionar minha criatividade. Eu já comecei a desenvolver um projeto pessoal visando eliminar 30% das cópias que tiramos.

Seu Borges: – Fabiana, desse jeito não vai dar!

Fabiana: – E eu não sei? Preciso urgentemente de uma auxiliar.

Seu Borges: – Como assim?

Fabiana: – É que eu sou líder, e não tenho ninguém para liderar. E considero isso um desperdício do meu potencial.

Seu Borges: – Olha, neste momento, eu só preciso das três cópias.

Fabiana: – Com certeza. Mas antes vamos discutir meu futuro.

Seu Borges: – Futuro? Que futuro?

Fabiana: – É que eu sou ambiciosa. Já faz dois dias que eu estou aqui e ainda não aconteceu nada.

Seu Borges: – Fabiana, eu estou aqui há 18 anos e também não me aconteceu nada!

Fabiana: – Sei. Mas o senhor é hands on?

Seu Borges: – Hã?

Fabiana: – Hands on … Mão na massa.

Seu Borges: – Claro que sou!

Fabiana: – Então o senhor mesmo tira as cópias. E agora com licença que eu vou sair por aí explorando minhas potencialidades. Foi o que me prometeram quando eu fui contratada.

 

O mercado de trabalho está ficando dividido em duas facções:

 

1 – Uma, cada vez maior, é a dos que não conseguem boas vagas porque não têm as qualificações requeridas.

2 – E o outro grupo, pequeno, mas crescente, é o dos que são admitidos porque possuem todas as competências exigidas nos anúncios, mas não poderão usar nem metade delas, porque, no fundo, a função não as exige.

 

Alguém ponderará – com justa razão – que a empresa está de olho no longo prazo: sendo portador de tantos talentos, o funcionário poderá ir sendo preparado para assumir responsabilidades cada vez maiores. Em uma empresa em que trabalhei, nós caímos nessa armadilha. Admitimos um montão de gente super-qualificada. E as conversas ficaram de tão alto nível que um visitante desavisado confundiria nossa salinha do café com a Fundação Alfred Nobel. Pessoas super-qualificadas não resolvem simples problemas!

 

Um dia um grupo de marketing e finanças foi visitar uma de nossas fábricas e no meio da estrada, a van da empresa pifou. Como isso foi antes do advento do milagre do celular, o jeito era confiar no especialista, o Cleto, motorista da van. E aí todos descobriram que o Cleto falava inglês, tinha informática, energia, criatividade e estava fazendo pós-graduação… só que não sabia nem abrir o capô. Duas horas depois, quando o pessoal ainda estava tentando destrinchar o manual do proprietário, passou um sujeito de bicicleta. Para horror de todos, ele falava ‘nóis vai’ e coisas do gênero. Mas, em 2 minutos, para espanto geral, botou a van para funcionar. Deram-lhe uns trocados, e ele foi embora feliz da vida. 

 

– Aquele ciclista anônimo era o protótipo do funcionário para quem as Empresas modernas torcem o nariz:

O QUE É CAPAZ DE RESOLVER, MAS NÃO DE IMPRESSIONAR.

 

(Adaptado por Marco Fabossi do Texto Original de Max Gehringer)

 

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Um grande abraço,

 

Marco Fabossi

 

2 Respostas até agora.

  1. Monica Brisola disse:

    Olá!!

    sempre evangelizando né?
    Deus te deu poderes para poder ajudar a todos!
    Parabens pelo trabalho, tenho muito orgulho de você!
    Um grande abraço!

  2. Cris Lima disse:

    Oi, Fabossi!
    Super legal receber seus e-mails!
    Obrigada por compartilha-los!
    Deus abençoe esta iniciativa!
    Um Abraço,
    Cris