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As Pulguinhas (Trabalho em Equipe)

Postado por Marco Fabossi agosto - 12 - 2008 4 Comentários

Duas pulgas estavam conversando e então uma comentou com a outra:

– Sabe qual é o nosso problema? Nós não voamos, só sabemos saltar. Daí nossa chance de sobrevivência quando somos percebidas pelo cachorro é zero. Por isso que existem muito mais moscas do que pulgas.

E elas então contrataram uma mosca como consultora. Entraram num programa de reengenharia de vôo e saíram voando. Passado algum tempo, a primeira pulga falou para a outra:

– Quer saber? Voar não é o suficiente, porque ficamos grudadas ao corpo do cachorro e nosso tempo de reação é bem menor do que a velocidade da coçada dele. Temos de aprender a fazer como as abelhas, que sugam o néctar e levantam vôo rapidamente.

E elas contrataram o serviço de consultoria de uma abelha, que lhes ensinou a técnica do chega-suga-voa. Funcionou, mas não resolveu. A primeira pulga explicou por que:

– Nossa bolsa para armazenar sangue é pequena, por isso temos de ficar muito tempo sugando. Escapar, a gente até escapa, mas não estamos nos alimentando direito. Temos de aprender como os pernilongos fazem para se alimentar com aquela rapidez.

E um pernilongo lhes prestou uma consultoria para incrementar o tamanho do abdômen. Resolvido, mas por poucos minutos. Como tinham ficado maiores, a aproximação delas era facilmente percebida pelo cachorro, e elas eram espantadas antes mesmo de pousar. Foi aí que encontraram uma saltitante pulguinha:

– Ué, vocês estão enormes! Fizeram plástica?

– Não, reengenharia. Agora somos pulgas adaptadas aos desafios do século XXI. Voamos, picamos e podemos armazenar mais alimento.

– E por que é que estão com cara de famintas?

– Isso é temporário. Já estamos fazendo consultoria com um morcego, que vai nos ensinar a técnica do radar. E você?

– Ah, eu vou bem, obrigada. Forte e sadia.

Era verdade. A pulguinha estava viçosa e bem alimentada. Mas as pulgonas não quiseram dar a pata a torcer:

– Mas você não está preocupada com o futuro? Não pensou em uma reengenharia?

– Quem disse que não? Contratei uma lesma como consultora.

– O que as lesmas têm a ver com pulgas?

– Tudo. Eu tinha o mesmo problema que vocês duas. Mas, em vez de dizer para a lesma o que eu queria, deixei que ela avaliasse a situação e me sugerisse a melhor solução. E ela passou três dias ali, quietinha, só observando o cachorro e então ela me deu o diagnóstico.

– E o que a lesma sugeriu fazer?

– Não mude nada. Apenas sente no cocuruto do cachorro. o único lugar que a pata dele não alcança.

 

Muitas empresas caem na armadilha das mudanças drásticas de coisas que apenas necessitam de aprimoramento.

Nem sempre é preciso uma reengenharia radical para ser mais eficaz. Muitas vezes, a grande mudança é apenas uma questão de reposicionamento.

É muito importante que a empresa desenvolva o hábito de separar um tempo, principalmente de seus líderes, para repensar a estratégia, os processos, os produtos, o posicionamento no mercado, etc. Todos estão tão envolvidos no dia a dia, que não têm tempo para reavaliar o que estão fazendo.

É imprescindível que a empresa desenvolva um ambiente de criatividade para seus colaboradores. Este é o melhor caminho para envolvê-los num processo coletivo de criatividade, de onde muitas idéias simples e eficazes surgirão.

 

Um grande abraço,

 

Marco Fabossi

4 Respostas até agora.

  1. Janaina disse:

    Parabéns !!!!

  2. Elaine C disse:

    gostei muito da sua conclusao, da forma de trouxe a historia para o ambiente de uma organização.

  3. Vinicius disse:

    Parabéns.Sou um grande fã seu.