O gerente de um grande grupo multinacional, após ter sido preterido para uma promoção, me contou em uma de nossas reuniões de coaching, que ficou muito surpreso com o resultado de sua avaliação anual de desempenho, que destacava vários problemas de gestão e liderança que, até então, ninguém havia levado ao seu conhecimento.
Alguns comentários vindos de seu chefe davam conta de que ele tinha problemas para se comunicar com a equipe, com os pares e com os superiores, e que não demonstrava muito interesse em trabalhar em equipe. Em seu ponto de vista, a avaliação teria sido injusta, e apesar de seus quase cinco anos de empresa, começou a questionar se ainda havia futuro pra ele naquele lugar.
Foi então que tomou uma das melhores decisões que um líder pode ter: decidiu ouvir diretamente alguns de seus principais colegas, reunindo-se com cada um, pedindo sua sincera opinião e sugestões sobre o seu trabalho e sua liderança, sem rodeios. Ficou chocado ao ouvir que a maioria de suas decisões eram parciais e tendenciosas, deixando dúvidas quanto ao rumo que ele queria dar à sua área. Também ouviu que não sabia trabalhar em equipe, e que seus liderados se sentiam completamente desamparados com a sua falta de liderança.
Apesar do impacto, esse feedback o ajudou a perceber que estava tão envolvido com a rotina diária que não tinha tempo de pensar em como estava gerenciando sua área e liderança sua equipe. A partir daquele momento ele tomou várias ações para mudar de comportamento e enfrentar os desafios da mudança. E já no ano seguinte sua avaliação foi muito melhor, sua equipe estava bastante satisfeita com sua liderança, os resultados de sua área melhoraram consideravelmente, e a tão esperada promoção finalmente aconteceu.
Infelizmente esse é um fato comum, e um dos maiores erros que muitos líderes cometem: a “falta de tempo” para afastar-se da correria do cotidiano e refletir sobre suas atitudes. Aliás, aqui cabe substituir “falta de tempo” por “falta de priorização”. Se um líder não entende que momentos de autoliderança são importantes para o seu desenvolvimento, ele nunca encontrará tempo pra isso.
Nós sabemos que liderar outras pessoas não é uma tarefa simples, mas certamente as pessoas mais difíceis e complicadas de liderar somos nós mesmos, levando o próprio líder a se transformar em seu grande inimigo. Antes de liderar outras pessoas é preciso liderar a si mesmo, por isso é imprescindível que o líder conheça seus pontos fortes e pontos fracos, que conheça suas habilidades e limitações, e que concentre suas energias naquilo em que é bom, cercando-se de pessoas que são boas naquilo em que ele sabe que tem limitações.
O líder precisa “realizar”, e não necessariamente “fazer”, e por isso precisa aprender a delegar, porque a delegação é uma das principais ferramentas que o ajudará a realizar mais fazendo menos, conquistando assim mais tempo para desenvolver sua equipe, formar novos líderes, pensar estrategicamente, conversar com seus colegas sobre sua gestão e liderança, e praticar a autoliderança.
O líder que deseja influenciar pelo exemplo, tem em primeiro lugar, o grande desafio de liderar a si mesmo por meio de autoconhecimento, autocontrole e equilíbrio na vida pessoal e profissional. Antes de inspirar, motivar, amar e servir aos outros, é preciso que o líder faça-o a si mesmo, viajando pelo interior antes de se aventurar pelo exterior, já que jornada do crescimento e do sucesso começa pelo lado de dentro.
E para que isso aconteça, é preciso driblar a falta de tempo e estabelecer momentos de calmaria, reflexão, concentração e introspecção, portanto, não deixe de separar um tempo diário para fazer a si mesmo algumas perguntas importantes, como:
- Eu gostaria de ser liderado por mim?
- Eu me seguiria?
- Eu vivo uma vida alinhada com os valores que acredito?
- O que eu posso melhorar?
“Nada é mais conclusivo para provar a capacidade de liderança de um homem que as ações empreendidas, dia após dia, para liderar a si mesmo”
Thomas J. Watson
Um grande abraço,
Marco Fabossi
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Marco Fabossi Marco Fabossi é Sócio-Diretor da Crescimentum, a mais completa empresa de formação de líderes do Brasil. Crescimentum – Alta Performance em Liderança
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Muito bom o exemplo citado, pois retrata bem nosso dia a dia, onde por várias vezes a correria e a falta de priorização nos deixam em mãos lençóis, principalmente com a equipe, isso pode ser o começo do fim.
Vale e reflexão, e por que não, ouvir nossos liderados com mais frequencia?
grande abraço!
Anderson Gonçalves
Novamente, muito obrigado pelos comentários que enriquecem ainda mais o Blog.
Abraços,
Marco
Muito obrigado por seus comentários no Blog.
Abraços,
Marco Fabossi
Acredito que quem conhece a si mesmo, lidera os outros apenas demonstrando sua propria confiança.
Excelente blog.
Boa sorte!